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Corpos já caíram ao chão durante o percurso até à morgue, em Setúbal.

Corpos já caíram ao chão durante o percurso até à morgue, em Setúbal.

Funcionários do Hospital de São Bernardo, em Setúbal, denunciam a forma como os cadáveres são transportados dentro de uma espécie de caixão em metal com rodas que é empurrado na via pública até à morgue, situada num edifício anexo ao hospital. De acordo com alguns funcionários, que pediram anonimato com receio de represálias, pelo menos dois cadáveres já caíram ao chão.

“As funcionárias não aguentaram o peso. Tiveram de apanhar o corpo e colocá-lo novamente no catre [cama de transporte], como um saco de batatas”, explica um funcionário. “É-nos exigido o transporte de cadáveres em condições próprias de um país de terceiro mundo. Passamos pelos utentes, à luz do dia, que ficam escandalizados”, refere outro funcionário.

Ao que o CM apurou, o transporte dos cadáveres começa a ser feito ao longo dos corredores do departamento onde se dá a morte, à vista de todos e perante dezenas de utentes, segue pelos corredores de neurologia e esterilização até que os funcionários saem por uma porta das traseiras, a meio do bloco do Hospital de Dia de Neurologia. Já no exterior, continuam a empurrar o catre, rampa acima, por mais 100 metros.

“Os carros têm de parar para nos dar passagem. Os corpos merecem mais dignidade”, contam. Questionada pelo Correio da Manhã, a administração do Centro Hospitalar de Setúbal explica que dispõe de normas “devidamente aprovadas para o efeito, nomeadamente um procedimento para lidar com cadáveres”.

Fonte: cm