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Rui Vitória

Técnico do Benfica pode conseguir, quatro anos depois, um feito inédito na final da Taça: repetindo uma final, vencer o troféu por cada um dos lados da barricada

Jamor, 26 de maio de 2013: o Vitória de Guimarães vence o Benfica por 2-1, com direito a reviravolta, e conquista a sua primeira Taça de Portugal.

Jamor, 28 de maio de 2017: encarnados e vimaranenses voltam a encontrar-se na final, depois e de na noite desta quarta-feira o Benfica eliminar o Estoril no Estádio da Luz, após um empate a três bolas, beneficiando do 1-2 da primeira mão. Foi também a primeira mão (2-0) a valer a passagem à final ao V. Guimarães, que na véspera, tal como o Benfica, também esteve a um golo de ser afastado pelo seu adversário – neste caso o Chaves, que venceu em casa por 3-1.

Benfica-V. Guimarães na final. As mesmas duas equipas, o mesmo troféu no mesmo palco e um treinador em comum nesta história: Rui Vitória.

Jesus e Rui Vitória, os finalistas da Taça de Portugal de 2013

O técnico do Benfica desviou o título da equipa de Jorge Jesus há quatro anos num jogo em que Soudani e Ricardo Pereira (em dois minutos e já perto do fim, após um golo de Gaitán na primeira parte) levaram o troféu para o Minho e fizeram a festa no Largo do Toural.

Agora, Rui Vitória está do outro lado da barricada e pode conseguir um feito inédito no futebol nacional: repetir a mesma final e vencer dos dois lados da barricada.

Recuando no tempo, só dois treinadores na história conseguiram repetir a mesma final estando em bancos diferentes em cada: Otto Glória e Manuel José, que perderam ambas.

Vitória iguala feitos de Otto Glória e Manuel José

Em 1957/58, num duelo de brasileiros – ambos chamados Otto, curiosamente – o carioca Glória perdeu com o gaúcho Bumbel e o FC Porto superiorizou-se ao Benfica num Clássico decidido aos 52 minutos com um golo de Hernâni.

Seis anos depois, Otto Glória regressou ao Jamor já ao comando do FC Porto. Porém, dessa vez foi o Benfica, orientado então pelo húngaro Lajos Czeizler, a conquistar o troféu. Venceu com um claro 6-2, com José Augusto a bisar logo aos 12 minutos – Eusébio, Torres, Serafim e Simões marcaram os restantes golos dos encarnados e Custódio Pinto e Carlos Batista fizeram os tentos dos azuis e brancos.

Na década de 1990, o feito de repetir duas finais iguais uma em cada banco foi conseguido por Manuel José, que perderia ambos os Benfica-Boavista. Em 1992/93, viu os encarnados, comandados por Toni, vencerem com um concludente 5-2 naquela que foi a final de Paulo Futre. O craque do Montijo fez dois golos (o primeiro é de levantar o estádio), com Paneira, João Vieira Pinto e Rui Águas a concluírem a goleada, enquanto Marlon e Tavares fizeram os golos do Boavista.

Manuel José voltaria ainda assim ao Estádio Nacional em 1997, já no comando técnico do Benfica, com o desfecho a sorrir aos axadrezados, de Mário Reis, que venceram a quinta e última Taça da sua história, por 3-2 (bis de Erwin Sánchez e golo de Nuno Gomes; Calado e El Hadrioui).

Vitória pode portanto conseguir um feito inédito, repetindo uma final e vencendo por cada uma das equipas. O treinador do Benfica procura a sua segunda Taça de Portugal, enquanto o vitoriano Pedro Martins está na primeira final da sua carreira.

Em qualquer cenário, a lista de treinadores mais vencedores da Taça de Portugal continuará a ter no topo dos maiores vencedores José Maria Pedroto e Otto Glória, ambos com quatro triunfos.

Rui Vitória repete a final, mas não é o único. Do lado do Vitória de Guimarães, Douglas, o herói da meia-final em Chaves (ao defender uma grande penalidade que evitou a eliminação já nos descontos) é o único resistente dos vimaranenses. Do lado do Benfica, há mais: desde logo, André Almeida, Luisão e Salvio, que foram titulares nesse jogo, além de Paulo Lopes e Jardel, que não saíram do banco nesse jogo e fazem ainda parte do atual plantel.

A 28 de maio, no Jamor, o duelo entre encarnados e vimaranenses é também Vitória contra Vitória numa final em que poderá fazer-se história.

Fonte: maisfutebol