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Apito Dourado

Como se pode ver, o Apito Dourado, inicialmente não teve nada a ver com Pinto da Costa e o Porto. Pinto da Costa foi depois apanhado numa série de escutas telefónicas

Não querendo branquear atitudes e actos de pessoas ligadas ao Futebol Clube do Porto, e muito menos defender essas atitudes, que existiram e não devem orgulhar nenhum portista, subsistem algumas situações esquisitas, obscuras e manhosas por explicar que levam a considerar que o processo Apito Dourado foi conduzido não com o objectivo de eliminar a corrupção no futebol português, mas de o fazer apenas para alguns agentes do nosso futebol. Infelizmente, estes factos foram, digamos, esquecidos pela comunicação social nacional, ao melhor estilo da manipulação de massas do Pravda soviético ou do canal de televisão norte-coreano (o mesmo que anunciou que o Querido Líder fez um hole-in-one em cada um dos 18 buracos do único campo de golfe da Coreia do Norte, aquando da sua inauguração).

1 de Outubro de 2000. Nesse dia, um jovem árbitro, de nome Rui Mendes, deslocou-se a Campo Maior para arbitrar um Campomaiorense – União de Leiria, quando se encontrou com um vogal do Conselho de Arbitragem da FPF, Nemésio de Castro (a quem nada a conteceu). Nemésio de Castro terá indicado que seria importante que o Campomaiorense ganhasse o jogo, uma vez que os resultados estavam a ser maus e o seu treinador, Carlos Manuel, estava ameaçado de despedimento. Rui Mendes arbitrou o jogo, que terminou empatado a uma bola, normalmente, numa boa arbitragem, não acompanhada pela nota do observador, que o classificou com uma nota altamente negativa. Revoltado, Rui Mendes escreveu ao presidente da Liga, Valentim Loureiro, relatando tudo o que se tinha passado. E ficou sem resposta durante seis meses, até que foi chamado por José Luís Oliveira, na altura vice-presidente da Câmara de Gondomar, para uma reunião na sede desse município com o autarca Valentim Loureiro. Sucede que Oliveira era também presidente do Gondomar, que lutava desesperadamente pela subida à Segunda Liga. Ora, o Major e Oliveira terão dito a Rui Mendes que a nota era reversível, afastando assim o espectro da despromoção à segunda categoria da arbitragem, desde que este aceitasse arbitrar o jogo do Gondomar na Trofa, o que sucedeu. Rui Mendes, posteriormente, contactou Pimenta Machado seu amigo, que o aconselhou a denunciar o caso à polícia e a escrever uma carta a Valentim Loureiro, relatando tudo
. E assim começou o Apito Dourado.

Como se pode ver, o Apito Dourado, inicialmente não teve nada a ver com Pinto da Costa e o Porto. Pinto da Costa foi depois apanhado numa série de escutas telefónicas que as autoridades efectuaram, tendo apanhado e estendido essas escutas não só a Valentim e José Luís Oliveira, mas a Pinto de Sousa, Pinto da Costa, João Loureiro, João Bartolomeu, entre outros, começando assim vários processos que decorreram do Apito Dourado inicial. Aqui surge uma questão: Luís Filipe Vieira surge numa escuta feita a Valentim Loureiro, usando a sua influência para escolher um árbitro para um jogo da Taça, facto que configura um crime de tráfico de influências, uma vez que Vieira meteu uma “cunha” para ter um árbitro que lhe agradasse. E aqui verifica-se uma incoerência que, não servindo nunca, e repito, nunca, para ilibar Pinto da Costa e o Porto, permitem perceber que houve um tratamento diferenciado consoante o envolvido. Vejamos, se os processos que levaram Pinto da Costa a julgamento por tentativa de corrupção, (já lá vamos), começaram com escutas entre o Presidente, Joaquim Pinheiro e o empresário António Araújo nos casos da fruta, e do envelope, Pinto da Costa começou a ser escutado por conversas com outros intervenientes, que levantaram suspeitas, até porque Pinheiro e Araújo nada têm a ver com o caso do Gondomar, porque motivo é que a escolha dos árbitros pela parte de Luís Filipe Vieira não levantou as mesmas suspeitas e o presidente do Benfica não foi posto sob escuta? É que, a generalidade das escutas entre Pinto da Costa, Pinto de Sousa e o Major são da mesma índole… Ou seja, enquanto outros eram escutados, Vieira pôde, alegremente, continuar a decidir os lugares na Liga e a escolher árbitros, sem correr o risco de ser escutado.

Voltando ao processo propriamente dito, importa explicar o porquê de Pinto da Costa ter sido ilibado nos tribunais. Quando o Presidente começou a ser legitimamente escutado, recaim sobre ele suspeitas de corrupção. Sucede que, quando se analisaram as consequências do actos praticados, chegou-se à conclusão que o Futebol Clube do Porto, por muito que a muitas cabeças pensantes lisboetas, não obteve benefícios directos desses actos. Nada, nicles, niente, rien. Ora, como não houve benefício, o crime deixa de ser de corrupção e passa a ser de tentativa de corrupção. Sucede que este crime tem uma moldura penal inferior ao de corrupção e, à data dos factos, esta moldura penal era inferior à mínima para que as escutas fossem aceites como prova. Daí as escutas terem sido consideradas inválidas. Ou seja, se no jogo Porto-Estrela da Amadora, Jacinto Paixão tivesse inventado um penalty a nosso favor, Pinto da Costa estaria, provavelmente, a esta hora, na cadeia. E, portanto, Pinto da Costa safou-se por uma tecnicalidade. Por muito que as Cofinas deste país não o queiram admitir, a justiça actuou como deve ser, neste caso e a lei foi cumprida, ainda que pudesse estar mal feita, e os processos arquivados.

Entretanto, e do “nada”, eis que Carolina Salgado vira “escritora” e escrevem-lhe um livro onde lhe contam a sua versão dos factos. E aí, Carolina é transformada em heroína nacional e os processos reabertos com base no seu testemunho. Infelizmente para as referidas cabeças pensantes, Carolina foi apanhada a mentir descaradamente e entrou várias vezes em contradição nos seus depoimentos, tendo estes, logicamente, sido considerados pouco credíveis e Pinto da Costa ilibado.

Entretanto, enquanto uns eram acusados de tudo e mais alguma e outros se safavam sabe-se lá bem como, outro jovem árbitro, Rui Silva, de Vila Real era suspenso da arbitragem por 20 meses por, supostamente falsificar dois relatórios de jogo, naquilo a que se pode chamar num castigo à Calabote. O que interessou abafar é que esse mesmo árbitro disse ter sido presenteado com uma peça em cristal por parte do Benfica quando apitou na Luz um Benfica-Naval. Coincidência?

Mas voltemos ao início. O post já vai longo, mas recordar-se-ão decerto de eu ter dito que o Apito Dourado começou quando, em 2000, um árbitro foi informado que o Campomaiorense necessitava de ganhar determinado jogo. Alguém se lembra do que sucedeu em Campo Maior nesse mesmo ano? Não? Vejam o vídeo… Será outra coincidência?

Porque é que o Apito Dourado começou no Porto e terminou em Leiria? Terá terminado a gasolina para chegar a Campo Maior e a Lisboa? Ou no sul de Portugal dois e dois não são quatro? Fica a questão.

Fonte: misticadodragao